domingo, 31 de maio de 2026

A velhice - Hermann Hesse

 


“A velhice é uma etapa da nossa vida que tem, como todas as demais, aparências específicas e temperaturas próprias, prazeres e necessidades peculiares.

Assim como todos nossos irmãos mais novos, nós, os velhos de cabelos brancos, também temos uma tarefa que dá sentido à nossa existência.

O doente terminal e moribundo que em seu leito mal consegue ouvir um apelo do lado de cá do mundo também tem sua missão, algo de importante a ser feito.

Ser velho é uma tarefa tão bela e sagrada quanto ser jovem, da mesma forma que aprender a morrer e saber morrer são atributos tão valiosos quanto quaisquer outros, desde que os encaremos com o devido respeito pelo significado e santidade da vida.

O velho que odeia e teme a velhice, os cabelos brancos e a proximidade da morte é tão indigno de representar sua categoria quanto o ser jovem e vigoroso que odeia a própria profissão e sua atividade diária, delas tentando esquivar-se.

Resumindo: para dar sentido à velhice e fazer jus à tarefa nela contida, é preciso concordar com ela e dizer sim a tudo o que a ela diz respeito. Sem este sim, sem esta entrega ao que a natureza de nós exige, nosso dias - sejamos velhos ou jovens - não têm valor nem sentido, e passamos a enganar a vida.”

Hermann Hesse
Com a Maturidade Fica-se Mais Jovem, Record, 2018.

sábado, 9 de maio de 2026

Corações Atípicos

 



"Eu aprendi a me ler

Quando não consigo dormir, me embalo sozinha na cama até o corpo ceder, até a respiração desacelerar…
O nome disso é autorregulação.
Existem alimentos que me causam náusea só de imaginar o gosto, a textura, o cheiro…
O nome disso é seletividade alimentar.
Quando preciso falar em público, minha voz trava, meus olhos enchem de lágrimas, meu corpo se fecha…
O nome disso é ansiedade social.
Quando estou em um shopping ou em grandes avenidas, com muita gente, muito barulho, muitas luzes…
Eu me sinto perdida dentro de mim mesma.
O nome disso é sobrecarga sensorial.
Não suporto cócegas, nem brincadeiras de “lutinha”.
Meu corpo não entende isso como leveza — ele entra em alerta.
O nome disso é hipersensibilidade tátil.
Shows, festas, ambientes intensos… ao invés de alegria, me trazem vontade de fugir.
O nome disso também é sobrecarga sensorial.
Gritos, discussões, vozes alteradas… me atravessam como se fossem perigo real.
O nome disso é hipersensibilidade auditiva.
Por muito tempo, achei que tudo isso eram defeitos.
Que eu precisava “me controlar”, “ser mais forte”, “ser como os outros”.
Mas um dia eu entendi…
Que isso não são falhas.
São formas de sentir o mundo.
E quando eu parei de lutar contra mim mesma,
quando deixei de me forçar a caber onde eu não cabia,
quando comecei a respeitar meus limites como parte de quem eu sou…
Eu aprendi algo essencial:
me respeitar também é me curar.
E desde então,
eu não tento mais ser menos intensa, menos sensível, menos eu.
Eu apenas aprendi a viver
com mais verdade,
mais cuidado…
e muito mais paz."

Rosaura Saraiva

Emoções


A palavra "emoção" deriva do latim emovere, composta por e- (variante de ex-, que significa "fora") e movere ("mover", "agitar", "mudar de lugar"). Etimologicamente, significa "mover para fora" ou "agitar/transportar para fora", sugerindo que as emoções são energias que impulsionam o corpo e a mente para a ação e expressão.