sábado, 9 de maio de 2026

Corações Atípicos

 



"Eu aprendi a me ler

Quando não consigo dormir, me embalo sozinha na cama até o corpo ceder, até a respiração desacelerar…
O nome disso é autorregulação.
Existem alimentos que me causam náusea só de imaginar o gosto, a textura, o cheiro…
O nome disso é seletividade alimentar.
Quando preciso falar em público, minha voz trava, meus olhos enchem de lágrimas, meu corpo se fecha…
O nome disso é ansiedade social.
Quando estou em um shopping ou em grandes avenidas, com muita gente, muito barulho, muitas luzes…
Eu me sinto perdida dentro de mim mesma.
O nome disso é sobrecarga sensorial.
Não suporto cócegas, nem brincadeiras de “lutinha”.
Meu corpo não entende isso como leveza — ele entra em alerta.
O nome disso é hipersensibilidade tátil.
Shows, festas, ambientes intensos… ao invés de alegria, me trazem vontade de fugir.
O nome disso também é sobrecarga sensorial.
Gritos, discussões, vozes alteradas… me atravessam como se fossem perigo real.
O nome disso é hipersensibilidade auditiva.
Por muito tempo, achei que tudo isso eram defeitos.
Que eu precisava “me controlar”, “ser mais forte”, “ser como os outros”.
Mas um dia eu entendi…
Que isso não são falhas.
São formas de sentir o mundo.
E quando eu parei de lutar contra mim mesma,
quando deixei de me forçar a caber onde eu não cabia,
quando comecei a respeitar meus limites como parte de quem eu sou…
Eu aprendi algo essencial:
me respeitar também é me curar.
E desde então,
eu não tento mais ser menos intensa, menos sensível, menos eu.
Eu apenas aprendi a viver
com mais verdade,
mais cuidado…
e muito mais paz."

Rosaura Saraiva

Emoções


A palavra "emoção" deriva do latim emovere, composta por e- (variante de ex-, que significa "fora") e movere ("mover", "agitar", "mudar de lugar"). Etimologicamente, significa "mover para fora" ou "agitar/transportar para fora", sugerindo que as emoções são energias que impulsionam o corpo e a mente para a ação e expressão.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Espectro Autista



O termo "Transtorno do Espectro Autista" (TEA) é usado porque o autismo não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, abrangendo uma ampla diversidade de sinais, sintomas e níveis de suporte. O termo "espectro" indica uma gradação, indo de casos leves a severos, refletindo que cada autista é único. Quando falamos sobre o Transtorno do Espectro Autista, ainda é muito comum imaginar uma régua simples, que vai do “pouco” ao “muito autista”. Mas a realidade é bem diferente disso.

O espectro autista não é linear. Ele é multidimensional.

Isso significa que uma pessoa autista não pode ser definida por um único nível. Ela pode ter mais facilidade em algumas áreas e mais desafios em outras. Pode ter habilidades sociais mais desenvolvidas, mas apresentar maior sensibilidade sensorial. Pode ter grande capacidade de foco em interesses específicos e, ao mesmo tempo, dificuldades na função executiva, como organização ou planejamento.
Cada pessoa no espectro é única porque a combinação dessas características é única.

Por isso, termos como “alto funcionamento”, “baixo funcionamento” ou até “Asperger” já não fazem mais sentido. Eles simplificam demais algo que é complexo e, muitas vezes, acabam invisibilizando necessidades reais ou desconsiderando potencialidades importantes.

Quando se entende o espectro dessa forma, muda também a forma de olhar para inclusão.

No contexto do ambiente de trabalho, por exemplo, não se trata de encaixar a pessoa em um modelo padrão, mas de compreender como ela funciona. É sobre ajustar ambientes, formas de comunicação e expectativas. É sobre reconhecer que diferentes formas de pensar, perceber e interagir também geram valor.

E talvez o principal aprendizado seja esse: inclusão não é tratar todo mundo igual. É reconhecer que cada pessoa precisa de coisas diferentes para conseguir ser, de fato, quem é. E quando isso acontece, todo mundo ganha.

Reflexão sobre a deficiência na infância

 O curta metragem conta a história de um menino com deficiência que quer brincar em um parquinho, mas enfrenta os olhares e comentários das outras crianças e suas dificuldades em interagir com ele.

O curta é inspirado na história de um menino,Ian, real. Sua mãe, autora de um livro e criadora da Fundação Ian, tomou como tarefa ensinar o respeito à diversidade e a inclusão. Esta aimação traz a reflexão a respeito da importância do respeito às diferenças e do quanto representa para uma criança com deficiência poder interagir com outras crianças.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Ansiedade - Sigmund Freud




"A ansiedade – que, embora fique latente a maior parte do tempo no que concerne à consciência, está constantemente à espreita no fundo – tem outros meios de se expressar, além desse. Pode irromper subitamente na consciência sem ter sido despertada por uma sequência de representações, provocando assim um ataque de angústia. Esse tipo de ataque de angústia pode consistir apenas no sentimento de angústia, sem nenhuma representação associada, ou ser acompanhado da interpretação que estiver mais à mão, tal como representações de extinção da vida, ou de um acesso, ou de uma ameaça de loucura; ou então algum tipo de parestesia (similar à aura histérica pode combinar-se com o sentimento de angústia, ou, finalmente, o sentimento de angústia pode estar ligado ao distúrbio de uma ou mais funções corporais – tais como a respiração, a atividade cardíaca, a inervação vasomotora, ou a atividade glandular. Dessa combinação o paciente seleciona ora um fator particular, ora outro. Queixa-se de 'espasmos do coração', 'dificuldade de respirar', 'inundações de suor', 'fome devoradora', e coisas semelhantes; e, em sua descrição, o sentimento de angústia freqüentemente recua para o segundo plano ou é mencionado de modo bastante irreconhecível, como um 'sentir-se mal', 'não estar à vontade', e assim por diante".

Sigmund Freud em "Fundamentos para destacar da neurastenia uma síndrome específica denominada neurose de angústia" 1895


sexta-feira, 20 de março de 2026

Aos 40 anos...

 



“A vida realmente começa aos quarenta. Até lá, você está apenas pesquisando.” 

Carl Gustav Jung

 
 Para o psiquiatra e psicoterapeuta suiço a vida começa aos 40 anos porque essa idade marca a transição da construção externa (carreira, família, persona) para a busca interna e autêntica. Ele via a primeira metade da vida como "pesquisa" e a segunda como o início da individuação, o processo de se tornar quem realmente se é.

Principais aspectos da visão de Jung sobre os 40 anos:

  • O "Mapa da Alma": Até os 40 anos, acumulamos experiências e construímos um "mapa", mas é na maturidade que ganhamos a coragem de usá-lo para viver a própria vida.
  • Individuação: A partir dos 40, o foco muda do sucesso externo para a integração do ser, voltando-se para dentro e libertando-se de expectativas sociais.
  • Fim da "Pesquisa": A fase anterior é considerada um ensaio; a "vida real" começa quando paramos de seguir modelos automáticos (infância, família) e agimos com autenticidade.
  • Crise de Sentido: Mudanças no corpo, carreira e desejos aos 40 não são apenas um colapso, mas um chamado do inconsciente para o amadurecimento psíquico.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Transtorno Mental e Familia

 



O transtorno mental de um indivíduo pode afetar sua família de diversas formas, dependendo da gravidade, da duração e do tipo de transtorno.

Algumas das dificuldades que as famílias podem enfrentar são:

• A falta de compreensão e aceitação da doença, que pode gerar sentimentos de culpa, vergonha, medo ou raiva.
• A sobrecarga de responsabilidades e cuidados, que pode afetar a saúde física e emocional dos familiares, bem como sua vida pessoal, profissional e social.
• A dificuldade de comunicação e relacionamento com o indivíduo, que pode apresentar comportamentos alterados, isolamento, agressividade, delírios ou alucinações.
• A falta de apoio e orientação profissional, que pode dificultar o diagnóstico, o tratamento e a recuperação do indivíduo, bem como a prevenção de recaídas ou crises.

Diante desses desafios, é importante que as famílias busquem ajuda especializada, tanto para o indivíduo quanto para si mesmas. Alguns dos benefícios que os profissionais de saúde mental podem oferecer são:

• O esclarecimento sobre a doença, seus sintomas, causas, tratamentos e prognósticos.
• O acompanhamento terapêutico, farmacológico e psicoeducativo, que pode auxiliar na redução dos sintomas, na melhora da qualidade de vida e na reinserção social do indivíduo.
• O suporte emocional, que pode ajudar os familiares a lidar com seus sentimentos, conflitos, expectativas e limites.
• A orientação sobre como conviver com o indivíduo, respeitando sua individualidade, estimulando sua autonomia e participando de sua recuperação.
• A indicação de recursos e serviços disponíveis na comunidade, como grupos de apoio, oficinas, atividades culturais e esportivas, que podem favorecer a integração e o bem-estar da família e do indivíduo.

Portanto, é fundamental que as famílias reconheçam o transtorno mental como uma condição que afeta não apenas o indivíduo, mas todo o seu contexto familiar. Ao buscar informação, ajuda e apoio, as famílias podem superar as dificuldades, fortalecer os vínculos e promover a saúde mental de todos os seus membros.