quarta-feira, 14 de julho de 2021

Preocupação? pensamentos intrusivos? Conheça a técnica cognitiva que ajuda a não pensar demais

 


Estratégias de terapia metacognitiva podem ajudar a superar a ansiedade causada por preocupação excessiva e pensamentos recorrentes.

Por Jesús Moreno 

Ter um 'branco' na hora de fazer uma prova para a qual você vinha se preparando há seis meses, preocupar-se que a vacina pode dar uma reação grave adversa, lembrar-se de que sua mãe ainda não telefonou hoje (talvez tenha acontecido alguma coisa?), estressar-se que seu filho não come nada, que sua cabeça dói (seria um tumor?)...

As preocupações estão por toda parte em nossa vida, quase o tempo todo. As preocupações pequenas e as grandes, as razoáveis e as excessivas, as bem fundadas e as estapafúrdias... existem todos os tipos.

Elas se comportam como uma goteira irritante que cai ruidosamente em nossa mente, como se ela fosse um balde de metal que, no final das contas, pode transbordar com tantos pensamentos.

A boa notícia é que a maioria das nossas preocupações geralmente não se concretiza.

Cientistas da Pennsylvania State University (EUA) realizaram um estudo sobre as preocupações mais recorrentes de um grupo de pacientes e, com o passar do tempo, verificou se elas eram reais.

O resultado? 91% de suas noites sem dormir foram por motivos que nunca se materializaram. Eles sofreram em vão.

 

Cérebro e irrealidade

Mas ainda há os 9 pontos percentuais restantes.

"Todos nós podemos ter ansiedade, tristeza ou depressão em maior ou menor grau", explica à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Juan Ramos Cejudo, professor de psicologia da Universidade Camilo José Cela (Madrid) e diretor do centro Mindlab.

Todos nós podemos sofrer com medo e ansiedade antecipados mesmo em casos que parecem pouco importantes, como ir a uma festa onde você não conhece ninguém, conversar com seu chefe ou falar em público. São situações normais em que não haveria necessidade de se preocupar demais.

Paradoxalmente, para preservar uma boa saúde mental, a primeira coisa é não confiar tanto em nosso cérebro.

"Se colocarmos em dúvida o que estamos vendo ou sentindo, teremos mais condições de obter bem-estar", diz Ramos Cejudo.

Ele explica: "Nem tudo o que o nosso cérebro nos diz é real. Percebemos a realidade através dos nossos sentidos e o nosso cérebro processa conclusões com muitos erros — ele está constantemente errado".

No entanto, é difícil ter esse discernimento, ainda mais nestes tempos turbulentos.

Estima-se que, antes da pandemia da Covid-19, 284 milhões de pessoas em todo o mundo sofriam de algum tipo de transtorno de ansiedade, com uma taxa de prevalência entre os países que varia entre 2% e 7% da população, de acordo com o Global Burden of Disease, um estudo envolvendo mais de 3 mil pesquisadores de 145 países e coordenado pela Universidade de Washington.

 

Esses dados foram completamente superados pela pandemia.

A revista científica Psychiatry Research publicou uma análise baseada em 55 estudos internacionais com mais de 190 mil pessoas que constatou que a prevalência de ansiedade é quatro vezes maior agora (15,5% da população contra 3,6% antes da pandemia, segundo a OMS).

O artigo destaca que o transtorno de estresse pós-traumático (16%) e a depressão (16%) também foram cinco e três vezes mais frequentes em relação ao normal.

 

O papel da metacognição

Estes dados não surpreendem o psicólogo Jesús Matos, professor do Instituto Superior de Estudos Psicológicos (ISEP) e diretor da clínica En Equilibrio Mental de Madrid (Espanha).

"O paciente com ansiedade generalizada é alguém que não começa a se preocupar de repente, mas é alguém que pensa assim durante toda a vida. Mas é uma pessoa que consegue funcionar bem, até que aconteça algo, um evento, que faz tudo desmoronar. E com a pandemia tivemos um grande evento desencadeador", explica ele em entrevista à BBC News Mundo.

O elemento-chave da terapia metacognitiva não é focar em um pensamento específico que nos desequilibra, mas a maneira como pensamos.

"Nos últimos anos, os psicólogos perceberam que não é tão importante o que as pessoas pensam, mas como elas pensam. Não é tão importante que eu ache que sou desajeitado ou que vou ter um ataque de ansiedade (cognição simples ou pensamento), mas sim o estilo de raciocínio que leva a essa reflexão", explica Ramos Cejudo, autor do livro Terapia Cognitiva junto com seu sócio José Martín Salguero Noguera.

"Uma metacognição é uma avaliação que fazemos sobre ter esses pensamentos", diz ele.

Ele dá alguns exemplos desse tipo de pensamento: "Posso me preocupar porque tenho uma prova, é uma cognição simples. Mas posso acabar me preocupando que sempre fico assim com qualquer prova, e que, se eu continuar me preocupando desse jeito, vou acabar ficando doente. Tudo isso são metacognições."

 

E qual é o problema dessas metacognições?

"[O problema é] que geralmente esse conteúdo desencadeia a resposta de ansiedade e a percepção de falta de controle a longo prazo. Sei o quanto me preocupo muito, mas também com o que não consigo controlar, tenho uma cognição sobre outra cognição que aumenta a ansiedade."

"Foi o professor Adrian Wells da Universidade de Manchester quem desenvolveu essa teoria nos anos 1990", diz Jesús Matos.

Tradicionalmente, os transtornos de ansiedade (fobias, pânico, transtornos obsessivos, etc.) têm sido tratados "com grande sucesso, cerca de 70%-80% com terapia cognitivo-comportamental", explica.

Mas no caso do transtorno de ansiedade generalizada — aquele em que o indivíduo se preocupa excessivamente com problemas comuns e cotidianos, como saúde, dinheiro, trabalho e família, quase diariamente por pelo menos seis meses, conforme definido pela Library National Medicine dos EUA —, "essa eficácia cai até 50% e há um problema de recaídas".

"A terapia metacognitiva aumenta a eficácia para cerca de 80% e consegue isso com poucas sessões, de 8 a 12, de acordo com os estudos", afirma o professor do ISEP.

 

Como a terapia metacognitiva é aplicada

"A terapia metacognitiva mostra ao paciente que a preocupação é controlável e não perigosa, e também que se preocupar em nada adianta", resume Matos.

Ela é "herdeira" da terapia cognitivo-comportamental e ambas podem ser aplicadas em conjunto, explicam os especialistas. Mas, em vez de focar na modificação do conteúdo dos pensamentos (como faz a terapia cognitivo-comportamental), a terapia metacognitiva foca na reestruturação do processo associado aos pensamentos.

E consegue isso, entre outras coisas, com técnicas baseadas em algo chamado Atenção Plena do Desapego (Detached Mindfulness, em inglês).

"Basicamente, consiste em observar o primeiro pensamento que surge e não tentar contrariar esse pensamento", diz.

O paciente tem que aprender técnicas de observação do pensamento.

Uma delas, explica a psicóloga, é adiar a preocupação que vem à mente em um determinado horário do dia por um período máximo de 15 minutos.

"Assim, a pessoa aprende que a preocupação não é perigosa, que é controlável porque pode ser adiada, e quebramos a associação entre o pensamento intrusivo que aparece e a resposta à preocupação. O pensamento intrusivo é automático, mas a resposta é controlável pela gestão da atenção."

"Pensamentos intrusivos são como visitantes", ele brinca: "Você não pode expulsá-los porque é rude, mas não precisa alimentá-los se quiser que eles saiam."

 

Quando procurar ajuda

Mas, então, quando isso deixa de ser um problema comum e passa a ser motivo para se buscar ajuda?

A linha entre preocupação administrável e transtorno de ansiedade é tênue em alguns casos, alertam os especialistas.

A resposta à ansiedade aparece de "forma multidimensional", explica Ramos Cejudo, da Universidade Camilo José Cela.

Primeiro, existem os sintomas cognitivos: isto é, os pensamentos — as preocupações e os pensamentos negativos repetitivos que estão gerando grande desconforto.

Em seguida, aparecem os sintomas fisiológicos, a boca seca, tremores, sudorese, palpitações, etc.

E, finalmente, a resposta comportamental — o que faço quando tenho ansiedade ou medo.

Essa última etapa é fundamental, avisa Ramos Cejudo.

Quando remoer problemas resulta em um "medo tão intenso que interfere no comportamento do sujeito, quando ele evita se expor a situações que geram preocupação e medo de forma frequente, intensa e duradoura, é quando isso se torna um distúrbio psicológico".

Os transtornos de ansiedade são alguns dos "mais prevalentes" quando se trata de saúde mental.

 

Dicas para gerenciar pensamentos e ansiedade

É desejável libertar a cabeça de pensamentos incômodos.

No entanto, o primeiro conselho que os especialistas dão pode parecer contra-intuitivo: não tente suprimi-los.

"Tentar não pensar em algo mantém isso na mente, é como tentar não pensar em um elefante rosa", explica Ramos Cejudo.

E a supressão emocional também não é uma boa ideia. "Expressar nossas ideias geralmente ajuda, alivia, mas algumas pessoas têm tanto medo desses pensamentos que os calam e, portanto, pioram tudo", acrescenta.

O objetivo é mais sutil, explica Jesús Matos. "O segredo não é tentar parar os pensamentos, mas observá-los e deixá-los em paz até que se vão."

Para conseguir "deixar seus pensamentos desencadeadores em paz", a psicóloga especializada Pi Callesen, da Universidade de Manchester, oferece algumas ferramentas em seu livro Viva Mais Pense Menos: Como superar a depressão e a tristeza com a terapia metacognitiva.

Ela busca treinar a mente e fazer você perceber que tem controle dos pensamentos.

 

O exercício de sons

Este exercício ajuda os pacientes de Pi Callesen a "descobrir sua capacidade de se concentrar seletivamente, mudar rapidamente de assunto e dividir sua atenção entre várias coisas", explica ela.

A primeira coisa a fazer é escolher três ou mais sons ambientes (tráfego, canto de pássaros, som de televisão, som de canteiro de obras ou qualquer outro). É útil que alguns dos ruídos escolhidos fiquem próximos e mais altos, e outros mais distantes.

Com a ajuda de um cronômetro (talvez o do seu celular), concentre sua atenção em um desses sons por 10 segundos. E então pule para outro e depois para outro, sucessivamente. Pode-se tentar por dois minutos, e se der certo, tente mais dois minutos, mas dessa vez pulando mais rápido de um som para outro, "por dois ou quatro segundos", descreve a autora.

Você também pode incluir como um dos sons escolhidos a gravação de uma palavra-chave do pensamento que desencadeia ansiedade. Use-o como mais um som.

"O objetivo deste exercício é familiarizar-se com a mudança na atenção e ganhar experiência em gerenciá-la."

 

O exercício da janela

Outro exercício que Pi Callesen usa com seus próprios pacientes é o "exercício da janela".

Isso envolve escrever os pensamentos desencadeadores no vidro da janela com uma caneta que você pode apagar mais tarde.

"Os pensamentos desencadeadores podem ser, por exemplo, 'O que há de errado comigo?' 'Estou preocupado que meus colegas não gostem de mim.' 'Por que me sinto tão triste?'."

"Peço a meus pacientes que se concentrem totalmente em seus pensamentos desencadeadores e percebam o céu azul ou a casa do outro lado da janela, e não foquem no que está escrito."

Depois, o foco é mudado, é preciso olhar através dos pensamentos escritos e se concentrar no que se vê por trás do texto. Seja nas árvores em frente da casa, nos carros na rua ou nos detalhes do prédio em frente.

"O cliente agora percebe como os pensamentos desencadeadores se tornam diferentes. Eles ainda estão lá, não desaparecem, mas ele pode se concentrar em outras coisas e ver além deles. Então ele entende que pode controlar sua atenção", descreve.

Então, o elefante rosa desaparece. Mas se isso não passar e os pensamentos afetarem sua vida na forma de insônia ou sentimento de sofrimento excessivo, não hesite em procurar ajuda. Todos os especialistas concordam com isso.


Fonte:  https://g1.globo.com/bemestar/viva-voce/noticia/2021/07/10/a-tecnica-cognitiva-que-ajuda-a-nao-pensar-demais-nos-problemas.ghtml

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O Corpo Fala...


"Engole o choro.
Engole sapo.
Cala a boca.
Cala o peito.
Mas o corpo fala, e como fala.
Fala a ponta dos dedos batendo na mesa.
Falam os pés inquietos na cama.
Fala a dor de cabeça.
Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade.
Fala o nó na garganta, atravessado.
Fala a angústia, fala a ruga na testa.
Fala a insônia, o sono demasiado.
As idas na geladeira de madrugada e peso que dispara.
Você se cala, mas o falatório interno começa (e continua).
As pessoas adoecem porque cultivam e guardam as coisas não digeridas dentro de seus corações.
O normal do ser humano seria dizer e dizendo conseguir dar eco ao que está sentindo.
Mas nem todos se habilitam para esse difícil exercício.
Nem sempre digerimos bem aquelas pequenas coisas, como mensagens mal respondidas, as palavras que machucam, alguma coisa que não saiu como você queria... Você finge que não ouviu, engole e tudo isso vai se acumulando... até que um dia enche e esborra.
Esses pequenos fatos indigestos percorrem a garganta, entram no estômago, invadem o peito, e se deixarmos, calará nossa boca e nossa paz.
O importante é não deixar acumular ou achar que simplesmente vai aliviar com o passar dos dias.
O tempo até tem um papel importante, mas não resolve tudo. Tentar mostrar que as coisas estão sempre bem, requer muita energia e o desgaste emocional é grande.
E não... as coisas nem sempre estão bem.
O Coração não é gaveta.
Não dá pra engolir tudo e dizer amém!
Eu sei.
Também não dá pra sair por aí vomitando as coisas entaladas na sua garganta. Mas dá para se expressar de algum jeito.
Tem hora que o sentimento "grita" pra ser dito, entendido, decodificado, elaborado, traduzido, decifrado.
Tudo que ele quer é ser exorcizado pela palavra ou pela via que lhe caiba melhor. Expressar, tranquiliza a dor.
Dor não é pra sentir pra sempre.
Dor é vírgula.
Então faz uma carta, um poema, um livro.
Cante uma música.
Pega as sapatilhas, sapateia.
Faz uma aquarela.
Faz uma vida.
Faz piada, faz texto, faz quadro, faz encontro com amigos.
Faz corrida no parque.
Fala pro seu psicólogo(a), fala para Deus, para o universo... se pinta de artista.
Converse sozinho, com seu cachorro, solta um grito pro céu, bota a cara do lado de fora, sente o vento... mas não se cale.
Pois “se você engolir tudo que sente, no final você se afoga”."
Anônimo - Autoria Desconhecida.






"Emoções não expressadas nunca vão morrer. Elas são enterradas vivas e voltarão a aparecer, mais tarde, por caminhos piores"
Sigmund Freud



Ao longo da vida, com frequência enfrentamos situações limites, conflitivas, constrangedoras, difíceis, geradoras de intensas angústias. Se, por um excesso, essas angústias não podem ser digeridas, elas transbordam para o corpo, que, então, adoece.

domingo, 3 de março de 2019

Quais são os principais tipos de psicoterapia?




Encontrar a linha psicoterápica que melhor se encaixa à sua situação é fundamental para o sucesso do tratamento

Psicoterapia (do grego psykhē – mente/alma, e therapeuein – curar/tratar) é um tipo de terapia cuja finalidade é tratar os problemas psicológicos, tais como depressão, ansiedade, impulsividade, agressividade, dificuldades de relacionamento, dificuldades no campo acadêmico-profissional, dependência química, entre outros problemas de saúde mental. É um espaço que trata dos aspectos psíquicos singulares do indivíduo. É o trabalho dos afetos, emoções, padrões e pensamentos do indivíduo que o levam a ter consequências negativas ou sofrimento em seu dia a dia.

Psicoterapia – também chamada terapia de conversa ou simplesmente terapia – é um processo focado em ajudar um indivíduo, casais ou grupo de pessoas a resolver questões emocionais. Em alguns países também é conhecida com aconselhamento.  Através da psicoterapia é possível aprender maneiras mais construtivas de lidar com o estresse a que estamos submetidos diariamente e com as particularidades da vida pessoal, profissional ou familiar. Também pode ser um processo de apoio ao passar por um período difícil como o luto, transições de carreira ou um divórcio.

A psicoterapia é um tratamento colaborativo, onde paciente e psicólogo trabalham juntos para resolver as questões desejadas. Uma das principais ferramentas utilizadas na psicoterapia é a fala, pois é através dela que o paciente poderá expressar todos seus pensamentos em consultório. O ambiente da terapia é acolhedor, e a postura do especialista que irá te atender deve ser objetiva, neutra e sem julgamentos.

Com a ajuda do psicólogo, é possível identificar as causas e os padrões comportamentais que possam estar lhe impedindo de ter uma vida mais feliz. A psicoterapia ilustra de maneira clara, os pontos que necessitam de atenção e reparo em nosso cotidiano, para que possamos atingir um estado de satisfação emocional.


Estima-se que exista mais de duzentos tipos de abordagem. Somente a psicanálise possui sete escolas diferentes, sendo Freud, Lacan e Winnicott nomes mais conhecidos. Todas as linhas são capazes de ajudar um indivíduo a trabalhar com seus problemas. Importante ressaltar que a abordagem terapêutica é importante como orientação teórica e base de estudos para o profissional.



Algumas das principais vertentes da psicoterapia:



Psicanálise

Desenvolvida pelo médico neurologista austríaco Sigmund Freud. Uma das primeiras a mergulhar a fundo na psique humana, ela acumulou milhares de seguidores e detratores ao longo da história. Inaugurado por Freud, esse conjunto de teorias tem como premissa a investigação dos processos mentais conscientes e inconscientes. “Nas sessões, é permitido que o paciente fale sem restrições, visando a introspecção e o exame de suas características mais profundas e intensas”, define o psicólogo e professor da USP Rogério Lerner, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Engana-se quem pensa que essa intervenção esteja interessada apenas em remoer o passado para conectar esses episódios antigos com traumas e transtornos. “Isso é um estereótipo. Nós estamos preocupados com o que atrapalha o presente”, desmitifica Lerner. Diferentemente das outras opções terapêuticas, que são mais focadas e objetivas, a proposta está em realizar avaliações holísticas, que não levem em conta apenas um punhado de sintomas, mas o sujeito como um todo. Como trilhou o caminho das ciências sociais e das humanidades, a psicanálise reúne hoje uma menor quantidade de pesquisas científicas quando comparada a suas primas-irmãs e, não raro, é encarada com ceticismo por alguns profissionais de saúde. Para quem é indicada: não há consenso se a psicanálise tem atuação certeira contra esse ou aquele distúrbio. De forma geral, ela está indicada para quem procura aprimorar seu autoconhecimento, esteja numa crise ou não.

Psicoterapia analítica - Jungiana

Desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Os sonhos são a chave da terapia. É por meio deles que o analista ajuda o paciente a encontrar as respostas para o que o incomoda. Além dos sonhos, desenhos e a caixa de areia, com miniaturas, servem para montar cenários. O analisado não pode falar do que quiser: o terapeuta busca manter a conversa sempre em torno dos problemas que o levaram até ali. Indicada para quem busca autoconhecimento profundo.

Psicanálise Lacaniana

Remete à teoria do psiquiatra francês Jacques Lacan. É das clássicas, com divã e de longa duração. Sem pauta prévia. O analista pesca, durante as conversas, as piadas e os atos falhos, além de usar da interpretação dos sonhos para acessar o inconsciente. É lá que está a compreensão dos problemas. Funciona bem com quem quer acessar suas camadas mais profundas em busca de autoconhecimento. Não é indicada para quem vive em situações de urgência. A duração é  variada, mas tende a ser demorada. Costuma durar vários anos. O tempo de cada sessão também varia, pode levar de 15 minutos a duas horas.

Cognitivo-comportamental

Amparada nas evidências científicas mais robustas, essa linha terapêutica leva em consideração a influência dos pensamentos em relação aos comportamentos. “Por meio dessa análise construída num esforço conjunto, nós conseguimos modificar o raciocínio do indivíduo sobre algumas questões, o que leva a mudanças na forma como ele interage com o mundo e com os outros”, explica o psicólogo Wilson Vieira Melo, presidente eleito da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas. Vamos tomar como exemplo um sujeito com ansiedade generalizada, que convive com uma sensação constante de que algo vai dar errado a qualquer minuto e tudo vai fugir de seu controle. Aos poucos, as sessões evidenciam que tal sentimento não faz sentido algum e que essa preocupação excessiva não traz um ganho sequer, muito pelo contrário. Essa transformação no modo de encarar as coisas, por si só, já vai trazer um alívio considerável da chateação.Outra característica marcante desse tratamento criado na década de 1960 é a sua objetividade. “Ele tem um foco, e todos os esforços são concentrados para solucionar aquele ponto, inclusive com o estabelecimento de metas e prazos”, diz o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


Humanismo

O principal expoente da terapia humanista é o psicólogo Carl Rogers. É difícil dizer em poucas palavras como funciona a sua terapia centrada na pessoa. Mas penso que o seu conceito de aceitação incondicional nos ajuda a entender os seus princípios e o modo como ele conduzia a psicoterapia, individualmente ou em grupo. Para Rogers, só podemos mudar quando nos aceitamos. Como ele dizia: “O paradoxo curioso é que quando eu me aceito como eu sou, então eu mudo“. O exemplo clássico para a aceitação ser fundamental para a mudança é o problema do álcool e drogas. Enquanto uma pessoa usa uma determinada substância, ela geralmente acredita que não é viciada e que tem um controle sobre o uso. Pode até brincar sobre o seu abuso, porém não aceita de verdade que tem um problema. É só quando aceita que tem um problema que ela consegue mudar. Evidentemente, a terapia centrada na pessoa não está ligada apenas a este tipo de mudança. A aceitação incondicional por parte do terapeuta vai propiciar ao paciente a compreensão de si mesmo. Também conseguimos compreender a utilidade e eficácia da terapia humanista quando percebemos que a autocrítica é terrível para a saúde mental. A aceitação por parte do terapeuta e até o carinho que ele demonstra por seu paciente (chamado preferencialmente de cliente no humanismo) faz com que ele também passe a se autoaceitar como é. E a aceitação gera mudança, e junto gera mais autoconfiança. As sessões na terapia humanista não são estruturadas. O humanismo é classificado como a terceira força na psicologia e procurou estudar menos as doenças mentais e mais os estados ótimos do ser humano, como os estados de realização pessoal e espiritual.

Transpessoal

Podemos situar a psicologia transpessoal como uma derivação das psicologias humanistas e existenciais, ou seja, Rogers e Maslow, entre outros. Com os estudos dos estados ótimos do ser humano, a psicologia transpessoal começou a notar que era fundamental atentar para as concepções de personalidade e eu. Em geral, pensamos que a nossa personalidade total é o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, pensamos, sentimos, ou seja, tudo o que está relacionado com o eu, com o ego. Para a psicologia transpessoal, entretanto, o eu é apenas uma parte da personalidade total. E uma parte que pode causar problemas. Nós temos uma consciência que se atenta para os estímulos internos e externos. Quando vemos uma flor, nós vemos uma flor. Posso dizer: “estou consciente de que existe uma flor na minha frente”. Mas quando eu tenho um pensamento, eu confundo, e penso que eu sou o meu pensamento. Digo: “eu estou pensando nisso, e por estar pensando nisso, sou assim, gosto disso, gosto daquilo”. De forma que confundimos. Assim como a flor não é quem somos, o eu (o que se pensa internamente) também não é a nossa essência ou a nossa personalidade integral. Tudo isso pode parecer uma conversa filosófica maluca, porém, quando se trata do sofrimento é muito importante. Se alguém diz que eu sou burro, novamente, se eu confundo o pensamento com o eu, posso ficar muito magoado. Agora, se eu entendo que o eu, o ego, é apenas uma parte de mim e que a minha essência é maior do que o eu, do que o ego, eu posso ficar mais livre e sofrer menos.No fundo, é como se passássemos metade da vida ou mais tentando defender um ego, que nem seria tão importante quando imaginamos, perto de quem somos de verdade. Esta é a visão da psicologia transpessoal, a psicologia além da pessoa (do ego). A terapia transpessoal será extremamente variada. De acordo com cada terapeuta terá um certo tipo de prática.


Interpessoal

Também conhecida por “terapia de alto contato”, foi criada em 1969 por uma equipe de psicólogos capitaneada por Gerald Klerman e Myrna Weissman, da Universidade Yale, nos Estados Unidos. As sessões têm um prazo curto e costumam durar, no máximo, de 12 a 16 semanas, período em que um único problema é observado e tratado. Baseada na ideia de que as conexões com os outros e as circunstâncias da vida impactam diretamente o humor, e vice-versa, ela mescla conceitos da terapia cognitivo-comportamental com algumas pitadas dos métodos psicanalíticos. Como existem muitas pesquisas sobre essa intervenção, ela é uma das únicas que fazem parte do currículo obrigatório de ensino e treinamento nas residências de psiquiatria das faculdades de medicina americanas. O ponto central aqui está na forma de interagir da pessoa com o mundo ao seu redor. “Nós chamamos a atenção para alguns padrões de relacionamento que o paciente estabelece no dia a dia e nem percebe”, resume Rodrigo Grassi-Oliveira.Ela foi originalmente desenhada para o combate à depressão de adultos, mas aos poucos acabou adaptada para outros transtornos e faixas etárias, com destaque para situações que atormentam adolescentes e idosos.


Gestalt-terapia

Para os gestaltistas, os pacientes devem ser analisados em relação ao meio em que vivem, amigos, família e trabalho, e suas atitudes nesse meio. O terapeuta ouve o cliente, mas presta atenção em gestos, postura, tom de voz e expressões faciais. A terapia é focada no presente. Sabe a sensação de estar estagnado, entediado? A gestalt-terapia acredita que isso é causado por uma relação pouco saudável com o ambiente que nos cerca.
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Psicodrama

Geralmente em grupo, a terapia faz com que você encene seus problemas. O grupo discute e avalia como cada um se sentiu no processo. A ideia é que externando as emoções, seja mais fácil enxergá-las. Até pessoas tímidas podem se beneficiar do psicodrama. Não é obrigatório encenar. Você pode participar apenas como observador.

Comportamental

Se a terapia cognitivo-comportamental leva muito em conta o raciocínio e o processamento mental, essa linha está vinculada totalmente às questões do comportamento — como, aliás, seu próprio nome revela. O objetivo aqui é desvendar a razão de certas condutas e como o ambiente interfere nessas experiências. Desenvolvido ao longo do século 20 por pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da África do Sul, o tratamento é prático e tenta eliminar determinados hábitos negativos, ao mesmo tempo que reforça aqueles que são desejáveis. Por meio de estratégias de aprendizado, a proposta é transformar a forma de reagir do paciente diante de determinadas situações. Para quem tem TOC, por exemplo, é extremamente complicado abandonar velhos rituais, como lavar as mãos compulsivamente ou apertar o interruptor de luz diversas vezes antes de sair de casa. O sujeito está acostumado a fazer essas ações e imagina que acontecerá um desastre se desistir delas. Ao mesmo tempo, essa repetição toda abala sua vida e causa uma enorme ansiedade. O terapeuta atua para desmontar todos esses conceitos paulatinamente, sugerindo mudanças no dia a dia e conversando sobre eles. Há provas de que a terapia comportamental auxilia no TOC e no transtorno do espectro autista. Algumas pesquisas menores indicam que ela pode tratar fobias específicas, transtornos alimentares, dependência química e estresse pós-traumático.

Hipnoterapia – Hipnose clinica

A psicoterapia por hipnose é capaz de introduzir ideias construtivas no subconsciente. Se feita de maneira correta, ela pode auxiliar na alteração de padrões de comportamento, pensamento, e sentimento.

Psicoterapia Regressiva

A psicoterapia regressiva utiliza a hipnose para acessar memórias do passado que estejam causando mal no presente. Essas lembranças desencadeiam sintomas prejudiciais ao bem estar, e o papel desse procedimento é fazer com que o paciente analise, compreenda e supere acontecimentos não resolvidos do passado.

Psicoterapia corporal

Idealizada por Wilhelm Reich, a psicoterapia corporal leva em consideração corpo e mente. Nessa vertente, considera-se que os distúrbios psíquicos e emocionais causam tensões musculares crônicas. Além da fala como ferramenta para a terapia, especialistas dessa área também trabalham a respiração do paciente, envolvendo processos de toque, massagem, expressão sonora, técnicas posturais e alongamentos em consultório, a fim de atingir o equilíbrio emocional e físico de quem passa por este procedimento.

Psicoterapia Breve

A psicoterapia breve é um tratamento a curto prazo, com tempo e objetivos definidos. Normalmente, é indicada para quem esteja passando por alguma crise emocional aguda, que necessite de melhora imediata. Na psicanálise, a postura do especialista costuma ser neutra e passiva. Já na psicoterapia breve, o terapeuta se expressa de maneira ativa, e intervém nas falas do paciente constantemente, visando um tratamento mais intensivo que traga melhorias em um período pré-determinado.

Ludoterapia

É a adaptação de muitas das abordagens, como a psicanálise e a terapia cognitivo-comportamental, para o universo infantil. Leva em conta a ideia de que o ato de brincar é a forma como a criança transmite seus sentimentos automaticamente e alivia a tensão, a agressividade e o medo. Serve tanto para o diagnóstico das doenças quanto para o tratamento. É possível utilizar brinquedos físicos e inventar histórias fictícias com um propósito. Estas sessões geralmente utilizam técnicas e materiais propícios para possibilitar o contato e troca, como jogos, brinquedos, dinâmicas lúdicas, contação de histórias, dramatizações e atividades com o fim de acessar e elaborar o mundo simbólico infanto-juvenil.

Psicoterapia em grupo – Grupos Terapêuticos – Grupos Operativos

Na psicoterapia em grupo, se formam rodas de conversas, onde as pessoas podem trocar experiências, identificando-se com as questões alheias. O psicólogo atua como mediador dessa conversa, e os participantes da terapia motivam-se entre si para enfrentar seus problemas.



Outras vertentes de Terapia:

Arteterapia - Lápis, pincel, tinta, tela e demais recursos são ferramentas para externar as emoções sem precisar necessariamente da fala. A expressão audiovisual vira um meio para acessar o inconsciente e interpretar os sentimentos, que muitas vezes não aparecem de outras formas convencionais. É curioso notar como alguns dos pintores mais talentosos da história, como o holandês Vincent van Gogh (1853 -1890), tinham transtornos mentais e faziam da arte uma forma de lidar com suas questões internas, elaborando-as.

EMDR - A terapia faz o paciente simular o movimento dos olhos durante o sono REM. A ideia é que, quando isso acontece, o cérebro consegue reconstruir o caminho das memórias negativas de eventos traumáticos, que são processados e elaborados.
Para quem é indicada: Vítimas de acidentes, violência sexual e outros traumas. Pessoas com problemas crônicos, como fobias, depressão e até obesidade, também podem se beneficiar do método.

Dramaterapia - Vale-se do processo teatral ao interpretar determinadas passagens que refletem algo de relevante na vida do paciente ou no seu processo de autoconhecimento. Ao assumir outra personalidade temporariamente, o sujeito se vê distante de si e consegue analisar seu contexto sob outro olhar.Ela pode ser realizada individualmente, mas é comum (e desejável) que seja praticada ao menos em dupla ou com um grupo de apoio para facilitar a dramatização.

Mindfulness Psychology - E por fim, não poderia deixar de mencionar a Mindfulness Psychology, a Psicologia da Atenção Plena. Em 1979, Jon Kabat-Zinn publicou um livro que foi revolucionário na psicologia e na medicina chamado Full Catastrophe Living. Basicamente, o que Kabat Zinn fez foi pegar técnicas da meditação budista e utilizar em pacientes internados em hospitais com dor crônica e doenças graves. Ele retirou toda a conotação religiosa e pegou apenas as técnicas. Seria como utilizar a meditação como uma ferramenta.Na Mindfulness Psychology, então, são utilizadas várias técnicas meditativas: meditação sentada (com foco na respiração), meditação andando, meditação de escaneamento corporal, técnica da uva passa, entre outras.O que ficou comprovado em centenas de pesquisas científicas publicadas em renomados jornais acadêmicos é que as práticas, se forem realizadas constantemente, auxiliam na redução do stress, da dor, da ansiedade e ajudam em casos de depressão e outros transtornos – quando o paciente já está estabilizado.Ou seja, as técnicas são úteis para melhorar concentração, atenção mas também podem ser utilizadas concomitantemente com farmacologia ou outros tipos de psicoterapia. As sessões podem ser individuais, mas geralmente são realizadas em grupos que se encontram por períodos de 8 a 12 semanas.

Constelação familiar - Tornou-se mais conhecida quando foi incluída no grupo de terapias alternativas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvida pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger recorre a um intrincado sistema de símbolos e representações teatrais para analisar a dinâmica entre os diversos membros de um grupo ou de uma família, de modo a discutir e, se possível, melhorar os vínculos, relacionamentos e comunicação entre eles. A constelação familiar se baseia no uso de representantes neutros para representar membros da família ou grupo social do cliente e trabalhar um tema específico trazido por este último. Na terapia familiar sistêmica, trata-se de averiguar se, no sistema familiar ampliado existe alguém que esteja emaranhado nos destinos, escolhas, crenças, de membros anteriores desta família. Isto pode ser trazido à luz por meio do trabalho com as Constelações Familiares. Trazendo-se a luz os emaranhamentos, a pessoa consegue se libertar mais facilmente deles – ela passa a ter consciência do que age no seu sistema e a ter a opção da escolha sobre seu próprio destino. Segundo site do ministério da saúde, a definição terapêutica da Constelação Familiar – técnica de representação espacial das relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais de gerações ou membros da família.


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sábado, 19 de maio de 2018

O momento de buscar uma psicoterapia




Quando é hora de procurar uma psicoterapia?

Artigo do psicólogo e psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker

Pedir ajuda é um grande sinal de salubridade psíquica. Indica que você foi capaz de perceber e autodiagnosticar uma forma de sofrimento.

A vida não vem sem sofrimento e miséria. Se isso fosse suficiente para determinar a procura de ajuda seria simples: psicoterapia para todos. Não penso que seja este o caso.  Há situações como dependências químicas, disposições de personalidade e sintomas específicos para os quais a maior dificuldade é procurar tratamento. Se o sintoma deixasse o sujeito pedir ajuda, “meio caminho já teria sido andado”. Nesta linha a psicoterapia só seria possível para aqueles para quem ela já não é mais necessária.

Pedir ajuda é um grande sinal de salubridade psíquica. Indica que você foi capaz de perceber e autodiagnosticar uma forma de sofrimento. Sugere também que você entende que isto não é apenas uma deficiência moral, uma insuficiência de sua educação ou uma ofensa ao seu sistema de crenças. O autodiagnóstico é parte do processo de cura. O clínico tenderá a interpretar este movimento crítico como parte de seu desejo de transformação.  Antigos filósofos já diziam que era difícil suportar a ideia de ser “libertado pelo outro”, tanto porque isso indica passividade e fraqueza, quanto porque seria uma liberdade falsa, obtida por meios que não são próprios. Esta oposição entre resolver-se por si, “aceitando-se como você é”, ou pedir ajuda e ficar dependente nas “mãos do outro” deve ser superada. Como em tudo mais na vida, atravessamos problemas e nos tornamos autônomos com os outros e não sem eles. Contudo, isso não explica quando um sintoma se torna insuportável a ponto de demandar tratamento.

Os verdadeiros sintomas não se definem pelo código social de condutas desejáveis, mas por duas formas específicas de relação que mantemos com o que fazemos. Há os sintomas baseados na forma “ter que”, definidos pela coer-citividade. Exemplo. Trabalho, como todo mundo, todo dia, e me queixo ou me felicito nele. Isso pode ser um sofrimento “suportável”. No entanto outra pessoa dirá: “eu tenho que” ir trabalhar, porque se não for “algo acontecerá”, sentirei angústia extrema, serei criticado impiedosamente pelo chefe, e assim por diante. Há aqui o recobrimento de um “comportamento aceitável” (trabalho) por uma disposição patológica (coerção subjetiva a).

A segunda família de sintomas obedecem à gramática do “não posso com”. São situações que podem parecer irrelevantes, ou plenamente aceitas socialmente, mas que são vividas com sofrimento adicional. Exemplo: “não posso com baratas, com ratos, com pessoas deste ‘tipo’, com mulheres desta ‘forma’, com perdas, com ganhos” e assim por diante. O diagnóstico que autoriza um tratamento psicoterápico está mais atento a esta incidência “subjetiva” do “ter que” ou do “não posso com” do que com a norma de vida esperada para alguém ou época.

Ainda que únicos os sofrimentos são igualmente trágicos e cômicos. Eles são o que as pessoas têm de melhor e também de pior. São como obras de arte que se tornam o bem mais precioso e inarredável de alguém, são também sua religião particular, feita de ritos, mitos, orações e devoções. Quando temos um nome para o mal-estar, uma história para nosso sofrimento, os sintomas revelam-se uma maneira de dizer o que não pode ser dito por outras vias. Talvez a função do psicoterapeuta ou do psicanalista seja parecida com a de um carteiro que pega cartas embaralhadas, as cartas de nosso destino, e ajuda a entregar as que podem ser entregues, reenviar as que estão sem destinatário e cuidar daquelas que ainda não foram escritas.

Postado pela Viver Mente e Cérebrohttp://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/quando_e_hora_de_procurar_uma_psicoterapia_.html

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Acompanhamento Terapêutico - Ambiente social como espaço terapêutico




"O Acompanhamento Terapêutico é um trabalho clínico que visa promover a autonomia e a reinserção social, bem como uma melhora na organização subjetiva do paciente, por meio da ampliação da circulação e da apropriação de espaços públicos e privados." Instituto A CASA

"Acompanhamento Terapêutico ( A.T.) é uma nova opção de tratamento a clientes que se encontram em um momento de intenso sofrimento psíquico. O Acompanhamento Terapêutico é um trabalho diferenciado em que o terapeuta (geralmente psicólogo clínico) acompanha o paciente nas mais diversas tarefas e atividades diárias, possibilitando-lhe lidar com as questões conflitantes, emergentes destas atividades." Psicólogo René Schubert

"Acompanhamento Terapêutico (AT) é um dispositivo clínico na saúde mental desempenhado por profissional psicólogo cujo objetivo é promover a inserção social e garantir o tratamento psiquiátrico. A função do Acompanhamento Terapêutico (AT) é mediar e articular as relações do sujeito com as pessoas e com o sofrimento mental, tornando possível atividades cotidianas de lazer e relação com a família, fazendo-o avançar no enfrentamento de sua doença. O AT sai, acompanha em compromissos, faz visitas domiciliares e articula uma rede de tratamento." Psiquiatria BH

Artigo publicado pelo Estadão em 3 de novembro de 2017: Psicólogos ajudam pacientes fora do consultório - Acompanhante terapêutico participa do cotidiano do cliente; serviço ajudou ex-jogador de futebol Casagrande a superar vício em drogas

SÃO PAULO - O estudante João Pedro Marinho, de 19 anos, chegou em casa no fim da tarde e encontrou o irmão, Guilherme, de 12 anos, em uma situação que o deixou alarmado. Ele jogava videogame com um adulto completamente estranho e não havia mais ninguém no apartamento. Assustadíssimo, pensou em chamar a polícia, mas antes telefonou para a mãe, Sandra Marinho, que estava no trabalho. Ela riu e explicou: “Calma. Seu irmão está com um AT (Acompanhante Terapêutico)”.

Poucos meses antes, nem mesmo Sandra tinha ouvido falar nesse tipo. O profissional vai à casa do paciente e, muitas vezes, o acompanha a locais públicos – como parques, restaurantes e baladas – com o objetivo de dar suporte psicológico e melhorar as habilidades sociais. Diferentemente da tradicional terapia no divã, que analisa problemas com base em relatos, o AT mergulha no universo individual do paciente, participando do cotidiano.

A prática, apesar de ser desconhecida de muitos, vem se popularizando a ponto de ter chegado à teledramaturgia. Na novela Pega Pega, da TV Globo, um AT que entrou na trama para ajudar a adolescente Bebeth a superar o trauma da morte da mãe. No dia da primeira sessão, ele convida a jovem para um passeio de bike, o que a surpreende muito. Mas é justamente essa postura de “amigo” que ajudou, na novela, Bebeth – assim como Guilherme, na vida real – a estabelecer um vínculo mais rápido com o terapeuta.

Faz três anos que Guilherme tem o apoio de Filipe Colombini, de 32 anos, coordenador da Equipe AT, um grupo paulistano com 40 profissionais. “Ele entende o que eu falo. Entende os meus pontos de vista sobre um determinado jogo, por exemplo. É meu brother”, conta Guilherme, agora com 15 anos. Quais foram os avanços na vida do garoto nesse período? “Aprendi a estudar e também fiquei mais sociável. Sempre fui muito fechado”, diz o jovem, que chegou a organizar em casa, com a ajuda de Colombini, um campeonato de games.

A facilidade do serviço domiciliar também ajudou muito a proliferar a quantidade de ATs para o público mais novo. “Eu trabalho o dia inteiro. O deslocamento para levar e trazer os filhos complica muito a vida. O AT é uma comodidade, além de ser eficiente”, diz Sandra.

“O AT não substitui a terapia convencional, é uma indicação clínica para quem precisa de uma intervenção no cotidiano”, explica o psicanalista Ricardo Gomides.

Para a psicóloga Andrea Vianna, “o excesso de atividades a que, hoje, os jovens são submetidos, provocou o aumento de depressão e pânico nesse grupo”. Ela é uma das coordenadores do curso de Acompanhamento Terapêutico do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas em São Paulo.

Equilíbrio. A popularização do AT também se deve à propaganda feita pelos próprios pacientes. Entre eles, está o ex-jogador de futebol e comentarista, Walter Casagrande Júnior, de 54 anos, autor de Casagrande e Seus Demônios, livro de 2014 em que conta sua luta contra o vício em drogas, escrito em parceria com Gilvan Ribeiro. Nas palestras, Casagrande reforça a importância do AT para seu equilíbrio.

“Geralmente faço três sessões por semana com três profissionais que se revezam nos meus atendimentos”, conta. “Quando minha namorada e meu filho não estão por aqui, saio com os ATs. Vamos ao cinema, jantamos fora, e aproveito para fazer a terapia.”

No início do tratamento, segundo ele, os ATs ajudaram a reconhecer que em alguns locais a vontade de experimentar um chope, por exemplo, surgiria, mas que também desapareceria no momento seguinte. Essa foi uma das técnicas de reinserção social passada ao ex-atleta. “Prefiro sair com os ATs porque sei que não terão atitude fora do padrão ou que me coloque em risco”, diz Casagrande.

“Eu sofria de fobia social. Não saía mais de casa e havia desistido dos estudos”, conta Mário Henrique, de 25 anos, que também recorreu ao serviço. No início do atendimento, o AT e o paciente estabelecem um projeto. O jovem fez supletivo, entrou no curso de Engenharia e fez amigos. “Minha vida mudou muito e para melhor.”

Colégios. O atendimento de um acompanhante terapêutico (ATs), que pode ser de uma a duas horas, custa entre R$ 50 e R$ 250, a depender do profissional. Esse tipo de serviço começou a ser difundido no País por psicólogos argentinos na década de 1970, segundo Ricardo Gomides, “mas era uma resposta à reforma psiquiátrica”.

Na década seguinte, surgiu o Instituto A Casa, o primeiro de ATs em São Paulo, baseado na psicanálise. “Hoje, temos pelo menos 30 grupos só de ATs”, afirma Gomides. Ele se refere aos grupos especializados no envelhecimento, na depressão. Colégios particulares, como o Augusto Laranja, em Moema, na zona sul, também já usam acompanhantes para ensinar as crianças a estudar.




Referências Bibliográficas:

Artigo do Estadão sobre Acompanhamento Terapêutico (2017) - http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,psicologos-ajudam-pacientes-fora-do-consultorio,70002070681

Instituto A CASA - http://www.acasa.com.br/home/

Psiquiatria BH - http://psiquiatriabh.com.br/faq-items/o-que-e-acompanhamento-terapeutico/

Acompanhamento Terapêutico: Uma Introdução (2010) - René Schubert - https://siteat.net/rene/

Schubert, R. - Caminhando e cantando...tecendo palavras, vivências e lugares por meio do Acompanhamento Terapêutico (in) Estrategias e intervençoes no atendimento psicologico da criança ao idoso. Editora Conquista, São Paulo, 2024

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Consultório de Psicologia


Próximo ao Sesc Vila Mariana, Hospital São Rafael, Colégio Bandeirantes e Colégio Benjamin Constant

Consultório de Psicologia:
Rua Eça de Queiroz, 386 - Vila Mariana




Psicólogos clínicos que atendem nas modalidades: Psicodiagnóstico adulto e infantil; Psicoterapia adulto e infantil; Orientação Familiar; Educação e Terapia Sexual; Acompanhamento Terapêutico; Avaliação Vocacional; Grupos Terapêuticos; Psicanálise; Psiquiatria; Grupos de Estudo em Psicologia; Palestras e Eventos em Saúde Mental e qualidade de vida.

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