terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Autismo na vida Adulta

 




Durante muito tempo, o Transtorno do
Espectro Autista (TEA) foi compreendido como uma condição
exclusiva da infância.

Hoje, sabemos que muitos
adultos recebem o diagnóstico apenas mais tarde,
após anos tentando se adaptar sem entender por que
determinadas experiências sempre pareceram mais
difíceis.

Relatos de adultos diagnosticados tardiamente mostram que as dificuldades sociais, sensoriais e de comunicação estiveram presentes ao longo de toda a vida, mas muitas vezes foram interpretadas como timidez, inadequação, ansiedade ou falha pessoal. O esforço constante para se encaixar, compreender regras sociais implícitas e lidar com estímulos sensoriais intensos costuma gerar exaustão emocional significativa. Questões sensoriais, como hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, toques, cheiros e ambientes, também aparecem de forma consistente e impactam diretamente o bem estar e a rotina. Além disso, dificuldades na comunicação social, como entender ironias, subtextos ou o ritmo das interações, contribuem para sentimentos de insegurança, ansiedade e isolamento. Muitos adultos relatam ainda o uso frequente do masking, a camuflagem social, como estratégia de sobrevivência. Embora ajude a se adaptar externamente, esse esforço constante costuma ter um custo emocional alto, associado a ansiedade, depressão e sensação persistente de não pertencimento. Compreender o autismo na vida adulta amplia o olhar clínico e possibilita um cuidado mais ético e respeitoso. O diagnóstico não apaga as dificuldades, mas pode oferecer sentido, reduzir a culpa e abrir caminhos para estratégias mais alinhadas com a forma
singular de cada pessoa existir no mundo. Referência:
Autismo em adultos: relatos de vida após um diagnóstico tardio – Gikovate & Féres-Carneiro, 2025